Viajar de carro pela América do Sul pode parecer uma alternativa econômica, principalmente quando duas ou mais pessoas dividem os custos. Em vez de comprar várias passagens aéreas, o viajante utiliza o próprio veículo e ainda ganha liberdade para conhecer diferentes cidades durante o percurso.
Mas será que basta calcular combustível e hospedagem?
Na prática, não.
Uma viagem internacional de carro possui despesas que podem passar despercebidas durante o planejamento. Pedágios, estacionamento, câmbio, manutenção preventiva, seguros obrigatórios e até autorizações relacionadas ao veículo precisam entrar na conta.
Por isso, antes de definir quanto dinheiro levar, vale montar um orçamento mais completo.
Combustível provavelmente será uma das maiores despesas
O primeiro cálculo costuma ser o combustível.
Para chegar a uma estimativa, descubra a distância total da viagem considerando ida, volta e deslocamentos dentro dos destinos.
Depois, considere o consumo médio do seu veículo.
Se um carro percorre aproximadamente 12 quilômetros por litro e o roteiro completo possui 4.000 quilômetros, por exemplo, serão necessários cerca de 333 litros de combustível.
Mas esse cálculo ainda é apenas uma referência.
O consumo pode aumentar dependendo do peso transportado, trânsito, relevo, velocidade e condições da estrada.
Além disso, o preço do combustível muda de um país para outro.
O ideal é trabalhar com uma margem de segurança no orçamento.
Pedágios também precisam entrar na conta
Esse é um dos gastos que podem ser esquecidos durante a montagem do roteiro.
Dependendo das estradas utilizadas, uma viagem longa pode envolver diversos pedágios.
Antes da partida, pesquise as principais rodovias do trajeto e procure entender como funciona a cobrança nos países visitados.
Não considere apenas o valor.
Também é importante descobrir quais formas de pagamento são aceitas. Dependendo do local, contar exclusivamente com um cartão utilizado no Brasil pode não ser a estratégia mais segura.
Manter diferentes alternativas de pagamento ajuda a evitar situações desconfortáveis durante o percurso.
Existe também o custo dos seguros obrigatórios
Ao viajar de carro para outro país, alguns seguros entram no planejamento por serem relacionados às exigências para circulação internacional do veículo.
Para quem pretende dirigir por Argentina, Paraguai ou Uruguai, um dos itens que precisam ser considerados é o Carta Verde.
O viajante pode contratar o seguro Carta Verde online antecipadamente e incluir esse valor no orçamento antes mesmo de sair do Brasil.
Na Real Seguro Viagem, os valores informados variam de acordo com a duração:
- 1 a 3 dias: R$ 46;
- 4 a 7 dias: R$ 86;
- 8 a 15 dias: R$ 142;
- 16 a 30 dias: R$ 212;
- 31 a 45 dias: R$ 295;
- 46 a 90 dias: R$ 391;
- 91 a 365 dias: R$ 499.
Portanto, o período de permanência interfere diretamente no custo.
Vai para o Chile? Existe outro seguro
Quem pretende continuar a viagem até o território chileno precisa considerar outro produto no orçamento.
O seguro SOAPEX é destinado aos veículos estrangeiros que circulam no Chile.
Ele não deve ser confundido com o Carta Verde.
Isso é especialmente importante para quem planeja uma road trip passando, por exemplo, pela Argentina antes de chegar ao Chile.
Nesse caso, o orçamento pode precisar contemplar os seguros relacionados às diferentes etapas do percurso.
Na Real Seguro Viagem, os valores informados para o SOAPEX são:
- 1 a 7 dias: R$ 139;
- 8 a 15 dias: R$ 189;
- 16 a 30 dias: R$ 239;
- 31 a 90 dias: R$ 293;
- 91 a 180 dias: R$ 593.
O ideal é definir o roteiro e as datas antes da contratação.
A empresa informa que, depois da emissão, Carta Verde e SOAPEX não podem ser cancelados nem ter suas datas alteradas.
Revisão do carro também faz parte do orçamento
Não adianta economizar na viagem e ignorar a manutenção do veículo.
Antes de percorrer milhares de quilômetros, uma revisão preventiva pode evitar despesas muito maiores durante o caminho.
O que precisará ser feito depende das condições do automóvel, mas alguns itens merecem atenção:
- pneus;
- freios;
- óleo;
- bateria;
- suspensão;
- sistema de arrefecimento;
- faróis e lanternas;
- limpadores de para-brisa;
- estepe.
Se os pneus já estiverem próximos do momento da troca, por exemplo, talvez seja mais seguro antecipar o investimento.
A mesma lógica vale para manutenções programadas para datas próximas à viagem.
Hospedagem pode variar bastante conforme o roteiro
Depois de combustível, a hospedagem tende a representar uma parte relevante do orçamento.
Mas existe um detalhe específico nas viagens de carro: nem todas as noites serão necessariamente passadas nos destinos turísticos principais.
Dependendo da distância, pode ser necessário dormir em cidades intermediárias.
Por isso, ao calcular as diárias, divida o trajeto em etapas realistas.
Evite planejar 12 ou 14 horas de direção apenas para economizar uma noite de hotel.
Além do cansaço, imprevistos na estrada podem tornar esse tipo de roteiro pouco prático.
Também vale verificar se a hospedagem possui estacionamento e se ele está incluído na diária.
Estacionamento é um gasto fácil de esquecer
Você chega ao destino, deixa o carro no hotel e acredita que os gastos rodoviários terminaram.
Nem sempre.
Em cidades maiores, estacionar pode representar um custo significativo.
Antes de reservar a hospedagem, veja se existe estacionamento próprio e se há cobrança adicional.
Também pesquise como funciona o estacionamento nas regiões turísticas que pretende visitar.
Se o carro permanecer parado durante vários dias, pode até ser interessante escolher uma hospedagem bem localizada e realizar parte dos passeios a pé ou por transporte público.
Alimentação na estrada precisa ser calculada
Em viagens longas, o gasto com alimentação não acontece apenas no destino.
Café, água, almoço, jantar e pequenas compras em postos de combustível começam a se acumular ao longo dos dias.
Uma estratégia é definir uma média diária por pessoa.
Também é possível levar água e alguns alimentos no veículo para reduzir paradas desnecessárias.
Entretanto, antes de transportar alimentos através de fronteiras internacionais, verifique as regras sanitárias e aduaneiras do país de destino. Alguns produtos podem ter restrições de entrada.
Reserve dinheiro para imprevistos
Todo planejamento financeiro de viagem deveria possuir uma margem para emergências.
Em uma road trip, isso se torna ainda mais importante.
Um pneu pode precisar ser substituído. O roteiro pode exigir uma noite adicional de hospedagem. Uma estrada pode ser fechada temporariamente, obrigando o motorista a utilizar outro caminho.
Também pode surgir uma despesa mecânica que não estava prevista.
Por isso, não monte um orçamento no limite.
Ter uma reserva permite resolver problemas sem comprometer imediatamente o restante da viagem.
Veículo de terceiros pode gerar outra etapa de planejamento
Antes da partida, confira quem aparece como proprietário no documento do automóvel.
Se o veículo estiver registrado em nome de outra pessoa que não participará da viagem, de uma empresa ou estiver financiado, podem existir autorizações adicionais para circulação internacional.
A Real Seguro Viagem orienta sobre a necessidade de autorização ou procuração do proprietário ou financiador em situações como veículos de empresas, automóveis emprestados por terceiros ausentes na viagem e veículos financiados.
Dependendo do procedimento necessário, pode haver custos relacionados à obtenção e regularização de documentos.
Por isso, essa questão deve ser analisada antecipadamente.
Faça uma planilha simples de gastos
Não é necessário criar um planejamento financeiro complicado.
Uma planilha básica já ajuda bastante.
Divida os custos entre categorias como combustível, pedágios, seguros, hospedagem, estacionamento, alimentação, passeios e reserva de emergência.
Também separe gastos já pagos daqueles que serão realizados durante a viagem.
Assim, você consegue visualizar quanto a road trip realmente deverá custar.
Se mais pessoas estiverem viajando, defina previamente quais despesas serão compartilhadas.
Quanto custa, afinal, uma viagem internacional de carro?
Não existe uma resposta única.
O valor depende da distância percorrida, duração, veículo utilizado, quantidade de viajantes, destinos escolhidos e padrão de hospedagem e alimentação.
Uma viagem curta até um país vizinho terá uma estrutura financeira completamente diferente de uma road trip de várias semanas atravessando Argentina e Chile.
O importante é não considerar somente combustível e hotel.
Seguros obrigatórios, pedágios, estacionamento, manutenção e possíveis autorizações também podem fazer parte da conta.
Quanto mais completo for o orçamento antes da partida, menores serão as chances de descobrir uma nova despesa no meio da estrada.
Planejar os custos não elimina a espontaneidade de uma road trip. Pelo contrário: saber que as principais despesas já foram consideradas permite aproveitar cada destino com muito mais tranquilidade.
* Conteúdo desenvolvido pela jornalista Daiane de Souza (0007147/SC).

